Sempre como doença, a solidão bate à porta,
sem aviso, sem cura, sem piedade.
Ela entra pela fresta da madrugada
e ocupa o espaço morno do meu quarto.
Minha alma tenta não ceder ao frio,
acende pequenas luzes na penumbra,
mas a mente, frágil como vidro antigo,
racha em silêncio sob o peso da ausência.
Há um eco suave nos corredores do peito,
um som distante como guitarra submersa,
que repete teu nome em reverb lento
enquanto o mundo gira em baixa rotação.
E mesmo ferido, permaneço respirando,
como quem espera o verão depois da névoa.
Se a solidão é doença que me invade,
teu olhar ainda é a cura que imagino.