Em silêncio, aquele olhar me encontra,
como quem atravessa paredes sem tocar.
Nada diz, e ainda assim me desmonta,
feito verdade crua difícil de carregar.
Há um abismo inteiro em teus olhos quietos,
um universo preso na ausência de som.
E eu, pequeno diante de teus segredos,
faço da admiração meu único dom.
Te observo como quem encara o infinito,
sabendo que jamais poderá possuí-lo.
Existe beleza no que não é dito,
e dor no desejo de decifrá-lo.
Talvez seja este o destino dos homens:
amar aquilo que nunca compreenderão.
Carregar no peito, entre ruínas e nomes,
o eco de um olhar em contemplação.