Não existe dor maior
que a distância daquele olhar,
não porque ele se foi,
mas porque permanece inalcançável.
Há presenças que ferem mais
do que qualquer abandono declarado;
ficam como um eco suspenso
num corredor sem portas.
Carrego no peito essa medida absurda:
quilômetros não contam distâncias reais,
pois o que separa dois seres
não cabe em mapas nem relógios.
E sigo, estrangeiro de um destino banal,
fitando a memória como quem encara um abismo;
sabendo que certos olhares
nos condenam a nunca mais sermos inteiros.