Na existência dela,
sou aquilo que não se diz.
Uma pausa entre duas dores,
um abismo onde a palavra se desfaz.
Ela atravessa o mundo com luzes,
com nomes, promessas e ruídos.
Eu a acompanho como sombra funda,
carregando o peso do não-ser.
Há um silêncio que não consola,
mas escava.
E nele desço lentamente,
como quem aceita o fundo por destino.
Se ela é superfície e movimento,
sou o que repousa abaixo:
a profundidade imóvel
onde até o eco desiste de voltar.