Minha guitarra é estridente.
Rasga o ar como um animal ferido
preso dentro de um quarto sem janelas.
Mas minha essência permanece sentada no escuro.
Os amplificadores urram contra o mundo,
como se o mundo ainda pudesse ouvir alguma coisa.
Entre fumaça, ferrugem e noites tardias,
carrego uma solidão que desafina os ossos.
Há multidões diante de mim,
rostos dissolvidos em luzes cansadas.
Mesmo assim, caminho sozinho
como um funcionário perdido nos corredores da existência.
Quando a última nota morre,
o silêncio retorna para reclamar meu nome.
E descubro, mais uma vez,
que toda fúria era apenas tristeza elétrica.