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"o poeta do subsolo!"
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Textos

Inverno interior...

O frio penetra minha alma

como uma carta entregue tarde demais.

Ele me recorda, sem violência e sem piedade,

que nada sou além de um corpo atravessando corredores vazios.

 

As ruas continuam indiferentes.

As janelas permanecem acesas para outras vidas.

Ninguém deve nada a mim,

e talvez esta seja a única verdade sem máscara.

 

Carrego meus dias como quem empurra um processo infinito,

papéis inúteis diante de juízes invisíveis.

Há neve dentro dos pensamentos,

e até minhas lembranças parecem tossir de cansaço.

 

Quando a noite se aproxima das paredes do quarto,

escuto o mundo respirar sem minha presença.

Então compreendo, em silêncio absoluto,

que existir também é suportar a própria insignificância.

Person Venoz
Enviado por Person Venoz em 23/05/2026
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