Olhando ao longe, como nostalgia ferida,
lembro daquele olhar perdido no inverno.
Havia nele uma fadiga silenciosa,
como um homem esperando o fim sem revolta.
As ruas continuam iguais, indiferentes.
O vento atravessa os prédios e os corpos,
e eu caminho entre rostos apagados
como quem já nasceu tarde demais.
A memória retorna sem piedade.
Teus olhos ainda existem em algum lugar da noite,
presos entre aquilo que não dissemos
e o vazio que aprendemos a chamar de destino.
Agora apenas observo o horizonte imóvel.
O mundo segue sem explicar sua ausência.
E eu permaneço aqui, imóvel por dentro,
carregando teu olhar como uma condenação calma.