Apaixonado pela escuridão,
caminho entre ruas que esqueceram meu nome.
Os postes lançam luzes cansadas,
como velhos juízes condenando o vazio.
Há conforto no frio das paredes úmidas,
na solidão que mastiga lentamente os dias.
Os homens sorriem por obrigação,
mas a noite ao menos é honesta em seu silêncio.
Carrego no peito um inverno imóvel,
um relógio quebrado que insiste em existir.
E enquanto o mundo corre atrás de sentido,
eu apenas observo a fumaça subir sem destino.
Talvez eu pertença às sombras porque elas nada exigem.
Não pedem esperança, nem promessas, nem fé.
Somente me recebem, vastas e indiferentes,
como um abismo que finalmente aprendeu meu rosto.