No gélido frio da vida,
não quero me iludir com o Sol.
Aprendi que toda claridade
cobra o preço de uma sombra maior.
As pessoas passam sorrindo pelas ruas,
como condenados que esqueceram a sentença.
Carregam nos olhos pequenas fogueiras,
mas dormem abraçados ao próprio vazio.
Há um inverno silencioso em mim,
destes que não terminam na primavera.
E talvez seja mais honesto o frio
do que o calor breve das promessas humanas.
Por isso caminho sem esperar manhãs.
Aceito o céu cinzento como destino.
Porque o Sol, quando toca minha pele,
apenas ilumina aquilo que perdi.