Você foi,
mas há algo teu preso nas paredes do meu pensamento.
Como fumaça num quarto fechado,
continua aqui, sufocando lentamente o silêncio.
Caminho entre pessoas e dias comuns,
porém tua ausência possui mais presença que tudo.
É estranho como alguém pode partir
e ainda assim permanecer ocupando o mundo inteiro.
Isto me afeta.
Não como a dor súbita de uma queda,
mas como a neve contínua sobre um campo morto:
calma, fria, inevitável.
À noite compreendo o absurdo da existência.
O corpo aceita a distância,
mas a mente insiste em conservar fantasmas
como se perder também fosse uma forma de eternidade.