Tentei fugir pelas ruas sem nome,
onde as janelas observam sem piedade.
Cada passo parecia apagar meu rosto,
mas o silêncio sabia exatamente quem eu era.
Os dias passaram como corredores úmidos,
longos, estreitos, sem qualquer saída.
Fingi não ouvir o peso da existência,
embora ele respirasse atrás da minha nuca.
Há um instante em que tudo para:
a fumaça, os relógios, o rumor das pessoas.
E então meu olhar, perdido no vazio,
encontra algo pior — encontra a si mesmo.
No fim, não houve fuga nem resposta.
Somente a noite imóvel dentro do peito.
Mesmo tentando abandonar esse abismo,
é ele quem retorna para me possuir.