Sem dúvida sou o melhor ator.
Aprendi cedo a decorar silêncios,
a mover os lábios como quem acredita na manhã,
enquanto a alma permanecia sentada no escuro.
As pessoas chamam isso de força.
Não percebem que o riso é apenas uma cortina,
e atrás dela existe um quarto vazio
onde a dor fuma lentamente o resto do meu nome.
Caminho entre mesas, vozes e relógios,
cumprimento o mundo como um funcionário cansado do absurdo.
Ninguém suspeita que dentro do peito
há um homem caindo sem fazer ruído.
E ainda assim continuo sorrindo.
Talvez por hábito, talvez por condenação.
Porque às vezes a única coisa mais triste que sofrer
é permitir que o mundo veja.