Abro a porta da manhã
e encontro o mesmo quarto.
O mundo me atravessa
sem notar minha presença.
As horas caminham lentas,
como condenados sem destino.
Cada passo repete
o som da ausência.
Há um frio que não vem do inverno,
nem da falta de sol.
Nasce onde nenhuma voz
alcança a outra.
Todo inferno cabe
em apenas uma palavra:
solidão.