Há algo em teu olhar
que desafia toda explicação:
a tristeza repousa nele
como a neve sobre as ruínas.
E, no entanto, é belo.
Não apesar da dor,
mas por carregá-la
sem jamais se quebrar.
Talvez a beleza verdadeira
não habite a alegria,
mas aquilo que continua existindo
mesmo depois dela.
Por isso te observo em silêncio.
Teus olhos parecem dizer
que a vida é um fardo imenso
e, ainda assim, vale ser contemplada.