Quando menino, eu colecionava futuros.
Queria ser o mar, a estrada, o fogo.
Cada manhã abria uma porta
para um mundo ainda sem nome.
Os anos passaram silenciosos,
como funcionários apagando luzes.
Um a um, os sonhos foram embora
sem sequer deixar despedidas.
Agora caminho entre ruínas familiares.
Não conquistei o céu nem o horizonte.
Habito apenas este corpo cansado
e seus corredores de eco.
Mas ainda respiro.
E talvez haja algo de trágico nisso:
sobreviver a todos os sonhos
e continuar acordando.