Corre o risco de a vida me apagar
da existência dela sem aviso.
Como uma palavra esquecida
num livro que ninguém releu.
O tempo trabalha em silêncio,
mais paciente que qualquer saudade.
Ele desgasta retratos, nomes
e promessas que pareciam eternas.
Talvez um dia eu seja apenas
uma vaga impressão de inverno,
um rosto sem contornos precisos
perdido na poeira da memória.
E o absurdo não será partir,
mas continuar existindo aqui,
enquanto deixo de existir, aos poucos,
dentro do mundo dela.