Por muito tempo invejei
o Sol pousado em outros ombros.
Contava os brilhos alheios
como quem soma ausências.
Caminhei por estradas secas,
pedindo ao céu uma claridade.
Mas a luz, quando emprestada,
nunca soube meu nome.
Hoje habito a escuridão
como quem regressa para casa.
Nela não há promessas,
apenas a verdade do silêncio.
E sob estrelas invisíveis,
aprendi sem alarde algum:
há noites que acolhem mais
do que muitos amanheceres.