A futilidade escorre das horas
como ferrugem sobre uma lâmina antiga.
Nada permanece puro por muito tempo;
o mundo apodrece enquanto respira.
Contemplo as coisas e já as vejo mortas:
flores reduzidas a pó, nomes ao esquecimento.
Toda beleza é apenas um intervalo breve
entre o nascimento e o apodrecimento.
Minha alma se decompõe sem alarde,
como uma casa abandonada pela luz.
Cada dia arranca uma pedra de seus muros,
cada memória acrescenta uma cruz.
E sigo entre cadáveres futuros,
cercado por tudo aquilo que será ausência.
Talvez a morte não venha um dia —
talvez ela seja a própria existência.