Vivo onde sou apenas mais um,
um rosto perdido na névoa da estação.
Ninguém pergunta de onde venho,
ninguém exige uma explicação.
As ruas me atravessam indiferentes,
como corredores de um sonho sem saída.
Há conforto nesta ausência de nomes,
nesta silenciosa margem da vida.
As falsas amizades não me alcançam,
morrem antes mesmo de nascer.
Aqui os sorrisos não prometem eternidade,
e por isso não precisam me ferir.
Entre multidões que não me reconhecem,
encontrei uma estranha salvação.
Ser apenas mais um entre tantos
é o abrigo mais honesto que conheço.