Passei anos tateando paredes úmidas,
procurando uma fresta por onde o mundo entrasse.
Acreditava que a luz resolveria o enigma
de existir entre rostos e ruínas.
Mas a escuridão foi paciente.
Sentou-se ao meu lado em cada derrota,
emprestou silêncio aos meus pensamentos
e transformou a ausência em companhia.
Quando finalmente percebi,
já não lutava contra ela.
Habitava seus corredores sem espanto,
como um funcionário que conhece o vazio do próprio escritório.
Agora a luz, quando aparece,
parece uma visitante atrasada.
E eu a observo da porta,
estranho ao brilho, familiar à sombra.