Mesmo na distância, mesmo no silêncio,
há algo que resiste ao desgaste dos dias.
Seu nome não atravessa meus lábios,
mas permanece caminhando pelos meus pensamentos.
O mundo segue indiferente ao que sinto,
empilhando horas, rostos e estações.
Ainda assim, em meio ao absurdo da existência,
você continua sendo uma certeza improvável.
Não lhe pertenço, nem você me pertence.
Somos ilhas separadas pelo acaso e pelo tempo.
Mas saber que seus olhos contemplam o mesmo céu
torna menos árido este exílio de estar vivo.
E quando a noite pesa sobre a consciência,
não peço proximidade nem promessas.
Basta-me este raro privilégio:
saber que você existe em algum lugar do mundo.