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"o poeta do subsolo!"
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Textos

Persistência do último som...

Quando o som toca silencioso minha pele,

há um frio antigo atravessando os ossos,

como se o mundo tivesse encerrado seu expediente

e eu fosse o único a não receber o aviso.

 

As ruas continuam onde sempre estiveram,

mas carregam a ausência das próprias ruas;

cada passo parece ecoar num lugar vazio,

onde até as sombras esqueceram seus nomes.

 

Tudo me dá a impressão de estar morrendo:

a tarde, a fumaça, as palavras não ditas.

E eu, feito um erro repetido pelo destino,

permaneço respirando contra toda lógica.

 

Talvez viver seja apenas isto:

teimar diante da ruína sem promessa alguma,

guardar uma centelha inútil entre as mãos

e chamar de esperança aquilo que não se apaga.

Person Venoz
Enviado por Person Venoz em 06/06/2026
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