Aquele olhar me perturba,
como uma chama que não consome.
Passa por mim silencioso,
mas deixa incêndios onde esteve.
Há uma felicidade escondida nele,
ou talvez apenas sua promessa.
E eu, sedento de sentidos,
confundo o horizonte com a chegada.
Quando o mundo se torna cinza,
é tua lembrança que colore o absurdo.
Por um instante, tudo parece possível,
até mesmo acreditar nos dias.
Mas teu olhar permanece distante,
como uma estrela que não desce ao chão.
Arde em mim, incessante,
e me condena ao desejo da felicidade.