Quando me disseram para aceitar o mundo,
aceitei suas pedras e seus silêncios.
Mas falhei ao desejar mais
do que a simples sobrevivência.
Meu maior pecado foi este:
deixar que o desejo me tocasse.
Querer uma fresta de luz
num corredor feito de sombras.
A ânsia de ser feliz me perseguiu
como uma febre sem remédio.
Eu a negava durante o dia,
e à noite ela voltava com meu nome.
Agora caminho entre ruínas calmas.
O mundo continua indiferente.
Mas ainda carrego, escondida no peito,
a culpa secreta de continuar esperando.