Tudo é transitório. As árvores, os impérios,
o nome que carregamos como uma breve sentença.
Até a noite parece morrer aos poucos
enquanto cobre o mundo com sua mão silenciosa.
Há em mim uma fadiga antiga,
como se cada alegria viesse marcada pela despedida.
Caminho entre rostos e dias que se desfazem,
colecionando ausências antes mesmo de perdê-las.
Mas antes que o sono me reclame,
antes que a escuridão feche suas portas,
eu desejaria encontrar naqueles olhos
a chama impossível da beleza.
Não para salvá-la da morte,
nem para vencer o absurdo da existência.
Apenas para adormecer sabendo
que algo belo resistiu por um instante ao vazio.