No silêncio das ruas vazias,
chamei de liberdade o que restou.
Mas a ausência de correntes
também era ausência de mãos.
Caminhei entre rostos dispersos,
estrangeiro em cada olhar.
Ser livre parecia vasto,
até o eco começar a responder por todos.
Há uma prisão no desejo de pertencer
e outra no medo de ficar.
Entre ambas, o homem vacila,
como uma sombra diante da própria porta.
Talvez a liberdade seja isto:
aceitar a noite sem vencê-la.
E carregar a solidão consigo,
não como castigo, mas como destino.