Carrego no peito a cicatriz do tempo,
marca antiga que não fecha nem sangra.
Ela apenas permanece, silenciosa,
como um nome esquecido numa porta vazia.
À noite, ele retorna sem anunciar-se,
anjo severo de asas enferrujadas.
Não traz promessas nem consolo,
apenas a contagem exata dos meus dias.
Pergunta o que fiz das horas recebidas,
onde escondi os sonhos e os fracassos.
Seu olhar atravessa minhas desculpas
como a chuva atravessa um teto gasto.
E eu, diante desse cobrador invisível,
não encontro defesa nem absolvição.
Resta-me seguir adiante com a marca,
enquanto o relógio afia mais uma sentença.