Há ruas em mim que nunca dormem.
Pensamentos atravessam esquinas vazias,
como passos sem dono na madrugada,
procurando uma porta que não existe.
Minha mente é o lugar mais barulhento
em que vivo todos os dias.
Mil vozes discutem o sentido da chuva,
enquanto o silêncio observa de longe.
Então recordo o rio que não resiste,
que apenas segue seu curso entre as pedras.
Talvez a paz não seja calar o mundo,
mas deixar que ele passe sem ficar.
E quando a noite cobre os telhados da alma,
o caos ainda respira dentro de mim.
Mas sento ao seu lado como um velho monge,
aceitando a tempestade sem chamá-la de inimiga.