Em meu olhar habita uma fraqueza antiga,
uma rendição que não escolhi.
Caminho entre rostos e dias,
mas é o teu que insiste em permanecer.
O mundo continua seu trabalho indiferente,
erguendo manhãs e derrubando certezas.
Ainda assim, em silêncio, admito:
ninguém é mais bela que você.
Há algo de absurdo nessa verdade,
como uma sentença escrita sem juiz.
Quanto mais tento esquecê-la,
mais ela se acomoda em mim.
E assim sigo, entre a lucidez e o sonho,
carregando este segredo sem defesa.
Pois toda a minha coragem se desfaz
quando meus olhos encontram os seus.