Até tento desviar os olhos,
ocupar as horas com o peso das coisas.
Mas o mundo se abre ao longe
como uma pergunta sem resposta.
No horizonte, há sempre uma ausência.
Uma forma que não se completa.
E meu olhar, cansado de si mesmo,
insiste em seguir naquela direção.
Talvez eu não procure você,
mas aquilo que fui ao seu lado.
Os caminhos se confundem
quando a saudade veste o mesmo rosto.
Assim caminho entre dias comuns,
como quem atravessa uma névoa sem fim.
E, sem perceber, volto a erguer os olhos,
esperando encontrar você no infinito.