Mergulho na nostalgia do passado,
como quem desce a um poço sem fundo.
Nas águas antigas procuro chaves,
e encontro apenas reflexos.
As ruas que já não existem
continuam abertas em minha memória.
Cada porta que recordo
guarda um silêncio diferente.
O tempo, indiferente, segue.
Não responde às perguntas que deixei.
Mas volto a elas, obstinado,
como um estrangeiro em sua própria casa.
Talvez o sentido não esteja adiante,
nem escondido nos anos perdidos.
Talvez seja apenas esta busca,
esta lanterna acesa na neblina.