Às vezes o que mais faz falta
não é o amor grandioso dos romances,
mas um simples "oi, tudo bem?",
chegando sem motivo numa tarde qualquer.
Os dias passam por mim em silêncio,
como corredores vazios de uma repartição infinita.
E eu caminho entre portas fechadas,
esperando ouvir meu nome.
Há um absurdo discreto na solidão:
continuar existindo para o mundo
e, ainda assim, sentir-se ausente
dos pensamentos de alguém.
Então guardo meu olhar no horizonte,
como quem espera uma carta que não virá.
E tudo o que peço à noite
é um simples "oi, tudo bem?".