Às vezes o segredo escapa
por entre os dedos da razão.
E fico sozinho no corredor
onde as portas não levam a lugar algum.
A manhã chega como sentença,
pontual e indiferente.
Abro os olhos contra a vontade
e o mundo já exige minha presença.
Os dias repetem seus gestos,
máquinas movidas pelo vazio.
Procuro uma fresta de sentido,
mas encontro apenas eco.
E assim caminho no pesadelo,
não de monstros, mas de rotina.
Onde a maior estranheza é esta:
continuar acordando.