Eu acabo usando máscaras,
neste mundo onde todo mundo é personagem.
Cada rosto parece ensaiado,
cada palavra já nasce decorada.
Nos corredores dos dias vazios,
aprendi a sorrir sem alegria.
É mais fácil vestir um papel
do que explicar o silêncio.
Às vezes esqueço quem sou
por trás das camadas que acumulei.
Como um estranho diante do espelho,
encaro alguém que não reconheço.
E sigo entre atores e cenários,
sob um céu indiferente e cinzento.
Talvez a máscara não esconda nada;
talvez ela seja tudo o que restou.