O estado desolador da vida
afasta meu coração do calor da felicidade.
Resta apenas o frio silêncio
entre os dias que não escolhi.
As manhãs chegam sem promessa,
como portas que se abrem para o vazio.
Caminho entre sombras familiares,
estranho até para mim mesmo.
Há uma beleza amarga na ruína,
como se a falta também fosse destino.
O mundo segue indiferente,
e eu sigo com ele.
Talvez a felicidade exista distante,
atrás de alguma janela esquecida.
Mas meu coração, cansado de procurar,
aprendeu a habitar o inverno.