Quando menos percebi,
a noite deixou de ser visita.
Sentou-se ao meu lado
e aprendeu meu nome.
As paredes já não pesavam.
O silêncio perdeu o mistério.
Tudo o que antes assustava
tornou-se móvel da casa.
Procurei a luz por costume,
não por esperança.
Ela parecia distante,
como uma lembrança emprestada.
E então compreendi:
não venci a escuridão.
Apenas me acostumei a ela,
como quem se acostuma à própria ausência.