O vazio cresce em silêncio,
como uma sombra sem origem.
Habita os cantos do meu nome
e apaga o que julgava firme.
As horas passam indiferentes,
carregando dias sem promessa.
Nada se rompe, nada floresce,
e nisso reside a estranheza.
Procuro sentido nas paredes,
mas elas apenas permanecem.
Mudas, devolvem meu olhar
como um espelho que esquece.
E o vazio aumenta tragicamente,
sem pressa, sem violência.
Torna-se parte da paisagem
e eu, parte de sua ausência.