Se esta estrada termina no silêncio,
eu ainda caminharei por ela.
Buscarei teu rosto entre os séculos,
como quem desafia o vazio.
Se houver outra vida, eu a atravessarei
com a mesma ausência em minhas mãos.
Nenhum esquecimento será bastante
para apagar o nome que nunca disse.
E você me reconhecerá.
Não pelos olhos, nem pela voz,
mas pelo peso antigo da solidão
que aprenderemos a dividir outra vez.
Então entenderemos, sem palavras,
que o destino nunca foi um lugar.
Era apenas a insistência de procurar
quem jamais deixou de existir em nós.