Aquele olhar nunca saiu de mim.
Fez morada onde o tempo não alcança.
Como um inverno que se recusa a partir,
permanece em silêncio, respirando em minha ausência.
Há algo inexplicável nesses olhos,
como uma canção antiga tocando ao longe.
Mesmo quando esqueço teu nome,
eles ainda sabem o caminho de volta.
Carrego tua sombra nas noites vazias,
entre postes acesos e ruas sem destino.
O mundo segue mudando de rosto,
mas teus olhos continuam sendo o meu fantasma.
E talvez seja esse o castigo mais belo:
amar um instante que nunca terminou.
Porque, de alguma forma impossível,
aqueles olhos ainda vivem em mim.