Passei dias ensaiando o impossível,
inventando versões melhores de mim.
Mas bastou teu olhar cruzar o meu
para que todas elas desaparecessem.
Quis ser memorável como uma canção,
acabei sendo o ruído entre os acordes.
As palavras perderam o endereço
e minhas mãos esqueceram onde ficar.
Agora temo o capricho da memória:
que esqueças o som da minha voz,
mas guardes para sempre
o jeito desastrado com que tentei te alcançar.
Ainda assim, existe um estranho consolo:
talvez o coração nunca escolha os impecáveis.
Às vezes é o tropeço mais sincero
que permanece quando todo o resto se apaga.