Nunca aprendi a falar ao vento.
Foi aos seus olhos que confessei
o que minha voz deixava cair
antes de alcançar você.
Eles guardavam o verão
quando o resto do mundo era chuva.
E eu morava nesse brilho
sem pedir abrigo.
Se um dia esquecer minhas palavras,
não faz mal. Elas eram frágeis.
Mas seus olhos sabem de cor
tudo o que nunca consegui dizer.
Porque, desde o começo,
foi ali que minha alma permaneceu:
falando baixinho aos seus olhos,
como uma canção que se recusa a terminar.