Em meio à noite, a chuva fria cai sobre mim,
como se o céu esquecesse meu nome.
Cada gota dissolve um antigo sentido,
e a rua aprende a falar em silêncio.
O absurdo de viver grita em meu silêncio,
sem voz, sem rosto, sem perdão.
Carrego o vazio como quem leva flores
para um jardim que nunca existiu.
As luzes tremem sobre o asfalto molhado,
iguais às promessas que a madrugada engole.
Ainda caminho, embora não espere,
porque parar seria outra forma de cair.
Quando o amanhecer enfim me encontrar,
não trarei respostas nem redenção.
Apenas a chuva secando na pele,
e o estranho alívio de continuar.