Todos os dias fujo da promessa brilhante,
dessa felicidade que exige joelhos no chão.
Quanto mais a persigo, mais distante
ela transforma meu passo em prisão.
Talvez o erro seja chamá-la de destino,
como se a vida devesse um prêmio ao viver.
O mundo apenas segue seu caminho,
indiferente ao que espero receber.
Aprendo, então, a sentar ao lado do vazio,
sem exigir que ele se torne jardim.
Há uma paz discreta no desafio
de aceitar o inverno dentro de mim.
Se existir alguma alegria verdadeira,
que venha sem ser caçada ou pedida.
Como a luz que atravessa uma janela,
e encontra, por acaso, uma vida.