Há algo em teu olhar
que a orquídea parece compreender.
Ambos florescem em silêncio,
como quem conhece o mistério da vida.
Nenhuma pétala ousa explicar
a delicadeza de tua presença.
A beleza mais rara
jamais precisou de palavras.
Talvez seja por isso
que o mundo desacelera diante de ti:
como um jardim depois da chuva,
onde até a ausência aprende a respirar.
Se existe algum sentido escondido,
ele repousa entre teus olhos e a flor.
E eu caminho por esse breve infinito
como quem aceita o absurdo por amor.