De modo singelo, o silêncio me encontra,
enquanto o mundo insiste em me chamar.
Não por paz, mas por cansaço,
aprendo a escutar o que não quer falar.
As ruas gritam nomes e promessas,
como se o eco pudesse salvar alguém.
Eu caminho sem negar o ruído,
apenas sem lhe entregar o coração.
Há uma estranha ternura no vazio:
ele nada promete e nada exige.
Talvez por isso seja o único abrigo
que não teme a passagem dos dias.
E quando a noite recolhe as últimas vozes,
permaneço inteiro naquilo que não digo.
Pois, às vezes, existir basta
quando o silêncio decide morar comigo.