Não temo a sombra que me chama;
ela não promete consolo.
Apenas me recebe inteiro,
sem perguntar pelo que possuo.
No lado obscuro da vida,
meu nome vale mais que meus bens.
Ali, o silêncio reconhece
aquilo que escondo de mim mesmo.
O mundo mede cofres e vitrines;
a noite mede a coragem de existir.
Entre ambas, escolho o vazio
que ainda me permite respirar.
Se há alguma verdade, mora ali:
na escuridão que nada exige.
Pois o que sou resiste ao tempo;
o que tenho desaparece com a luz.