O fogo que partiu daquele olhar
ainda conhece o caminho até mim.
Incendeia a memória em silêncio,
como um inverno que aprendeu a arder.
Há noites em que teu nome não retorna,
mas tua ausência acende todos os cômodos.
Sou a fumaça de um incêndio antigo,
vivendo onde as chamas já não existem.
O tempo tentou vestir as cinzas de paz,
porém basta um instante de distração
para que teu rosto reacenda o escuro
e meu coração volte a ser madeira seca.
Se amar é sobreviver ao incêndio,
eu continuo queimando sem luz e sem grito.
Porque o fogo que nasceu no teu olhar
nunca encontrou em mim o seu último inverno.