A distância inventa desertos,
o esquecimento afia seus dentes.
Mas já caminhei sem mapas,
quando a noite era meu único teto.
Tentam ferir o que restou,
como se a ausência fosse sentença.
Ignoram que aprendi o silêncio
antes mesmo de aprender o consolo.
Como ferir quem enxerga
quando toda luz abandona o caminho?
Meus olhos fizeram morada
na sombra que tantos temem.
Não espero o amanhecer.
Carrego minha própria vigília.
E o escuro, que veio para me apagar,
acabou revelando quem eu sou.