O mundo grita em todas as esquinas,
ergue verdades como quem vende fumaça.
Mas o silêncio em meu peito
é o único que nunca se cansa.
As ruas carregam multidões,
cada rosto aprendendo a sorrir por dever.
Eu caminho entre ecos vazios,
como quem desaprendeu a pertencer.
Não temo o barulho das guerras,
nem a queda inevitável dos dias.
É o vazio que mora em mim
que escreve as mais longas elegias.
Quando tudo enfim se calar,
restará apenas o que sempre existiu:
o mundo acreditava na própria voz,
e eu sobrevivia ao silêncio que me consumiu.