O frio do inverno
me oferece uma paz assustadora.
Sento ao lado dos meus demônios
como quem espera um trem que nunca chega.
O vento atravessa os ossos,
mas não encontra o que ferir.
Há muito o silêncio
aprendeu a morar em mim.
Não peço primavera.
Algumas ausências florescem melhor no gelo,
e certas verdades
só respiram quando o mundo congela.
Se um dia eu sorrir, não será por esperança.
Será porque descobri, enfim,
que até os demônios se calam
quando o inverno decide ficar.